01 Dezembro 2006

JOÃO CÂNDIDO

1912: João Cândido, líder da Revolta da Chibata, é julgado e absolvido, após 2 anos preso em quartéis e hospícios

Fonte:
http://vermelho.org.br

O texto abaixo foi publicado no site do PC do B


João Cândido, O Almirante Negr
29/11/2006

Escrevi em cordel poema em homenagem a João Cândido.
Mando as quatro primeiras estrofes se quiserem o resto para publicar no site me passe o e-mail com endereço que levo até vcs.

Peço licença aos senhores

Pra falar dum brasileiro Nascido em Rio Pardo

Filho de simples tropeiro

Cujo destino o levou A ser herói marinheiro.

Falo de João Cândido: nascido Em oitocentos e oitenta

O grande 'Almirante Negro'

Falecido na década de sessenta

Violentando a história do Brasil

Numa paixão grande e sangrenta.

O peso do machado

Faz a árvore sentir dor Remédio de gosto amargo

Cura e faz passar a dor

Homem de bem não aceita Ser escravo de 'doutor'.

Na época do Presidente Nilo

Ser negro era um martírio Cândido com pouca instrução

Levou os marinheiros ao delírio

Exigindo o fim dos castigos

O término da era do suplício.

Não dá pra escrever mais...

Hélio Dutra

Rio de Janeiro - RJ

Fonte: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=0&ex=fp

29 Novembro 2006

FABRÍCIO

Não conheci o Fabrício
Achei-o por acaso, conforme você pode verificar no meu Blog A História de Idéia
no post "Como Noticiar a Própria Morte?" de 29/11/06, no endereço http://abandon.zip.net
A sua morte chocou-me
Ele estava diante da vida e,
De repente a morte
A vida: www.flogao.com.br/fabriciodorock
A morte: http://www.flogao.com.br/oskabulosos89/foto/120/80066394

De todos os nomes que trouxe para esta necrópole, o de Fabrício foi o que mais me emocionou=chocou

Sinto que o Fabrício não deixou apenas ossos no cemitério
Ele deixou, antes de tudo, e para todos nós, o conhecimento em forma de afeto=presença para com sua namorada, seus amigos e amigas, seu pai, sua madastra, sua falecida avó

E existe melhor conhecimento do que este de se ser=estar presente?

27 Novembro 2006

JECE VALADÃO

Jece Valadão ficou conhecido por seus papéis como cafajeste no cinema nacional. Atuou recentemente interpretando o "machão" Joe Wayne, na novela da Globo Bang Bang (2005), escrita originalmente por Mário Prata, e concluída por Carlos Lombardi. O ator iniciou a carreira no cinema em Carnaval no Fogo, em 1949, e recentemente protagonizou o documentário O Evangelho Segundo Jece Valadão.

Atualmente, Valadão estava envolvido no projeto do novo filme de Zé do Caixão, diretor que estava 30 anos afastado do cinema, Encarnação do Demônio. Em sua última entrevista à repórter do jornal O Estado de S. Paulo, Flávia Guerra, o ator comentou sua participação no filme: "Estou adorando. Só sofri quando tive de tirar um molde do rosto e quase morri com a sensação de sufocamento”, contou Valadão. Este foi seu 107.º filme e há dez anos não pisava em um set de cinema. Seu último filme foi Tieta, de Cacá Diegues e a série Filhos do Carnaval, da HBO, dirigida pelo Cao Hamburger.Fonte: Agencia Estado - AE

25 Novembro 2006

JESUS

Nota: Esta página é sobre a figura histórica de Jesus e seus aspectos biográficos. Se procura outros significados da mesma expressão, consulte Cristo.

Mosaico representando Jesus Cristo, patente na antiga Basílica Ortodoxa de Hagia Sophia, Istambul, datado de cerca de 1280.
Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia (8-4 a.C.29-36 d.C.) teria nascido em Belém com o nome de Yeshua ben(bar)-Yoseph, ou seja, Jesus filho de José. Os seus ensinamentos serviram de alicerce na fundação da religião cristã, na qual ele é chamado como Jesus Cristo. No judaísmo messiânico ele é tido como um rabino especial (um Messias), para os adeptos do islamismo Jesus é um grande profeta. A sua influência também é marcante em outras religiões, como as de origem gnósticas e espiritualistas.
O nome Jesus (do hebraico, Yeshua), significa "Salvador", ou "auxílio do Senhor" (Yah). Seus discípulos o chamavam Messias, ou "o ungido do Senhor". O nome Cristo vem do grego Χριστός (Christós), que significa "Ungido". Os cristãos consideram-no o filho de Deus e, para a maioria das entidades cristãs, também o próprio Deus, que teria sido enviado à Terra para salvar a humanidade.
Sua influência foi provavelmente maior que a de qualquer outra pessoa que já tenha existido. Muitos atribuem que esta influência é a consequência da adoção do cristianismo - doutrina fundada pelos seus seguidores - como religião oficial do Império Romano sob Constantino, no século IV d.C. e, posteriormente, à difusão da cultura cristã pelo colonialismo europeu entre os séculos XV e XX. Contudo, nos dias atuais, a influência de Jesus já extrapolou os limites da própria igreja católica, quando doutrinas de cunho gnósticos e espiritualistas buscam resgatar - principalmente através de originais dos textos bíblicos ou apócrifos - os ensinamentos originais de Jesus.
Índice[esconder]
1 Nascimento e infância
1.1 Preparação para o nascimento e anunciação segundo Lucas
1.2 O Nascimento
1.3 Infância
2 Vida Pública
2.1 Ministério
2.2 Ensinamentos
2.3 Milagres
3 A Paixão
3.1 A Última Ceia
3.2 Os distúrbios que Jesus provocou no Templo de Jerusalém
3.3 O Julgamento
3.4 A Crucificação
3.5 A Ressurreição
4 O apóstolo Paulo
5 Relíquias de Jesus
6 Nomes títulos de Jesus
7 Data de nascimento
8 Ascendência de Jesus
8.1 Segundo Marcos
8.2 Segundo Mateus e Lucas
9 Ver também
10 Ligações externas
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[editar] Nascimento e infância
Grande parte do que é conhecido sobre a vida e os ensinamentos de Jesus é contado por cinco pequenos livros do Novo Testamento da Bíblia, designados por Evangelhos canônicos: Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, os Atos dos Apóstolos. Os Evangelhos Apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados com a infância de Jesus, nomeadamente no Evangelho de Judas e no Evangelho de Tomé.
Esses Evangelhos narram os fatos mais importantes da vida de Jesus. Os Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos seguintes. As Epístolas (ou cartas) de Paulo também dizem alguma coisa sobre Jesus e algumas de suas palavras aparecem noutros lugares. Notícias não-cristãs de Jesus e do tempo em que ele viveu encontram-se nos escritos de Josefo, que nasceu no ano 37 d.C.; nos de Plínio, o Moço, que escreveu por volta do ano 112; nos de Tácito, que escreveu por volta de 117; e nos de Suetônio, que escreveu por volta do ano 120. Todos eles escreveram sobre Jesus muitos anos após a morte dele.

[editar] Preparação para o nascimento e anunciação segundo Lucas
O trabalho da vida de Jesus na Terra, teria sido iniciado por João Batista. Zacarias, o pai de João, era um sacerdote judeu, enquanto a sua mãe, Isabel, era membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar ao qual também pertencia Maria, a mãe de Jesus. Zacarias e Isabel, embora estivessem casados há muitos anos, não tinham filhos.
Levando em conta a datação do nascimento de Jesus (neste mesmo artigo), aconteceu que, algures no final do mês sexto, do ano 8 a.C., cerca de três meses após o casamento de José e Maria, Gabriel, certo dia, apareceu a Isabel, ao meio-dia, tal como mais tarde se apresentaria perante Maria. E Gabriel contou-lhe do nascimento do seu filho João e do nascimento de um menino esperado na sua parente Maria.
Essa visão tocou Isabel profundamente, mas não falou da revelação a ninguém, excepto ao seu marido, até que posteriormente visitasse Maria, em princípios do segundo mês do seguinte.
Durante cinco meses, contudo, Isabel guardou aquele seu segredo até mesmo do marido. Quando contou a ele, sobre a visita de Gabriel, Zacarias permaneceu céptico e por semanas duvidou de toda a experiência, só consentindo em acreditar na visita de Gabriel à sua esposa, e sem maior entusiasmo, quando não mais podia duvidar de que ela esperava uma criança. Zacarias ficou muito perplexo com a maternidade próxima de Isabel, mas não duvidava da integridade da sua esposa, apesar da idade avançada dele. E, apenas seis semanas antes do nascimento de João, é que Zacarias, em consequência de um sonho impressionante, tornou-se plenamente convencido de que Isabel estava para tornar-se a mãe de um filho do destino, aquele que iria preparar o caminho para a vinda do Messias.
Gabriel apareceu para Maria por volta de meados do décimo primeiro mês, do ano 8 a.C., no momento em que ela estava trabalhando na sua casa em Nazaré. Mais tarde, após Maria ter sabido que era certo que estava para ser mãe, ela persuadiu José a deixá-la viajar à cidade de Judá, a sete quilómetros a oeste de Jerusalém, nas montanhas, para visitar Isabel.
Gabriel tinha informado a cada uma dessas duas futuras mães sobre a sua aparição à outra. Naturalmente elas estavam ansiosas para encontrar-se, para compartilhar as suas experiências, e para falar sobre os prováveis futuros dos seus filhos. Maria permaneceu com a sua prima distante por três semanas. Isabel fez muito para fortalecer a fé de Maria na visão de Gabriel, de modo que ela voltou para a sua casa mais plenamente dedicada ao chamado de ser mãe do menino predestinado, a quem ela, muito em breve, iria apresentar ao mundo como um bebé indefeso, uma criança comum e normal deste reino.
João nasceu na cidade de Judá, perto dos 25 do terceiro mês, do ano 7 a.C. Zacarias e Isabel rejubilaram-se grandemente com o facto de que um filho tivesse vindo para eles como Gabriel tinha prometido.
Ao oitavo dia, quando apresentaram a criança para a circuncisão, eles o baptizaram formalmente como João, exactamente como se lhes tinha sido ordenado. E logo um sobrinho de Zacarias partiu para Nazaré, levando até Maria a mensagem de Isabel, proclamando o nascimento de um filho cujo nome seria João.
Desde a mais tenra infância os pais inculcaram em João a ideia de que ele cresceria e tornar-se-ia um líder espiritual e um mestre religioso. E o solo do coração de João sempre foi sensível a essas sementes sugestivas.

[editar] O Nascimento
►Ver artigo principal: Nascimento de Jesus.
Jesus nasceu durante a vida de Herodes, o Grande, que os romanos haviam designado para governar a Judéia. Os calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas: Herodes morreu no ano 4 a.C., de modo que Jesus nasceu 3 anos antes, a quando dos censos do povo Judeu, que ocorreu, exactamente, 1 ano após os censos dos outros povos também subjugados ao poder Romano. Estes censos ocorreram para facilitar aos Romanos a contagem do povo e a respectiva cobrança dos impostos. Os Judeus sempre se opuseram a qualquer tentativa de contagem, por essa razão, esta ocorreu um ano depois de ter ocorrido nos povos vizinhos. Desde o séc. IV, os cristãos festejam o Natal, ou nascimento de Cristo, no dia 25 de dezembro. Esta foi uma adaptação das festas ao deus Sol dos povos pagãos, adquirida pelos Romanos. A data real ainda é incerta, ver mais adiante.
Maria foi a mãe de Jesus. Ela e o carpinteiro José, seu marido, moravam em Nazaré, uma cidade da província da Galiléia, no norte da Palestina. O Evangelho de Lucas conta que o arcanjo Gabriel apareceu a Maria e anunciou que ela ia dar à luz o filho de Deus, o prometido Messias. Algum tempo antes de Jesus nascer, Maria e José foram a Belém, a fim de terem seus nomes registrados em um recenseamento. Belém era uma pequena cidade do sul da Judéia. Maria e José encontraram abrigo num estábulo, e foi aí que Jesus nasceu. Maria fez de uma manjedoura o berço para ele.
Os Evangelhos falam de pastores que, perto de Belém, viram anjos no céu e os ouviram cantar: "Glória a Deus nas alturas e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens (Lucas 2:14). Algumas traduções da Bíblia dizem: paz na Terra aos homens de boa vontade. Outra história diz que vieram sábios do Oriente para ver o Messias recém-nascido. A princípio perguntaram por ele na corte de Herodes. Mais tarde puderam localizá-lo, seguindo até Belém a luz de uma estrela. Trouxeram a Jesus oferendas de ouro, incenso e mirra.
Herodes pedira-lhes que voltassem para informá-lo quando tivessem encontrado o menino, mas eles não fizeram isso. Herodes tomou-se de fúria e, com medo desse novo rei dos judeus, mandou que fossem mortos todos os meninos de Belém que tivessem dois anos de idade ou menos. Um anjo apareceu a José, em sonho, e o preveniu. José fugiu então para o Egito, com Maria e o menino Jesus. Só retornaram a Nazaré depois da morte de Herodes.

[editar] Infância
Pouco sabem os historiadores sobre a infância de Jesus. Lucas diz que, aos 12 anos, ele foi com os pais a Jerusalém, para a festa de Pessach, a Páscoa judaica, e lá surpreendeu os doutores do Templo com os seus conhecimentos religiosos. A única informação a mais deixada por Lucas sobre a infância de Jesus é a de que "crescia o Menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele (Lucas 2:40).
Jesus cresceu em Nazaré e provavelmente auxiliava José em seus trabalhos de carpintaria, até este falecer. Jesus, tendo plena e sã consciência de sua missão, preparava-se mental e espiritualmente em profundas orações e no contato íntimo com o Pai, mas ao mesmo tempo vivia uma vida normal junto de sua família, tal qual um morador de Nazaré.

[editar] Vida Pública

[editar] Ministério
Jesus começou a revelar a missão especial de sua vida por volta dos 30 anos de idade. João Batista, seu parente, preparava o caminho para ele, pregando o arrependimento e batizando os que aceitavam sua mensagem. Jesus foi ter com João, a fim de ser batizado.
Após a sua estada de "40 dias e 40 noites no deserto", exemplo típico do isolamento que antecede o cumprimento da missão dos profetas e iluminados, voltou para a Galiléia. Escolheu Cafarnaum, perto do mar da Galiléia, para centro de Suas atividades. Logo vieram juntar-se a ele os primeiros apóstolos: Simão Pedro, André, Tiago e João. Depois, Jesus escolheu para ajudá-lo Bartolomeu (às vezes confundido com Natanael), Tiago Menor, Judas Iscariotes, Tadeu (também chamado de Judas Tadeu), Mateus, Filipe, Simão e Tomé.
Jesus desenvolveu na Galiléia a maior parte do seu ministério. Mas esteve também na Samaria, em Jerusalém e em outros pontos do norte da Galiléia. Anunciava o Reino de Deus e afirmava ter o poder de perdoar pecados. Tratava os não-judeus com a mesma benevolência que dedicava aos judeus. Muitos dos seus ensinamentos encontram-se no Sermão da Montanha, transcritos por Mateus (5,6,7). Os mestres da Galiléia não confiavam em Jesus, porque ele não evitava os pecadores. Também O temiam porque parecia modificar certas práticas estabelecidas, como a de não pregar aos sábados. Mas seus discípulos acreditavam nele. Quando Jesus Ihes perguntou quem pensavam que ele era, Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16:16). Pouco depois, Pedro, Tiago e João tiveram uma visão de Jesus conversando com Elias e Moisés, tidos como seus precursores.

[editar] Ensinamentos
Com freqüência, Jesus explicava sua doutrina através de parábolas, histórias breves que encerravam ensinamentos. O Filho Pródigo(Lucas 15:11-32), por exemplo, fala da grande alegria de um pai quando vê retornar à casa um filho que saíra a correr mundo. Jesus usou esta parábola para mostrar o amor e o perdão de Deus aos pecadores que se arrependem. Os Evangelhos mencionam cerca de 70 parábolas.
Muito do que Jesus ensinou já fazia parte da Bíblia judaica ou da tradição dos hebreus, mas Jesus deu maior ênfase a certas idéias e acrescentou ensinamentos novos. Ele acreditava que Deus estava preparando a Terra para um novo estado de coisas, em que todos os seres humanos haveriam de viver como filhos de Deus. Jesus falava dessa nova era como o Reino de Deus, e dizia ser ele o enviado do Pai para anunciar e fazer presente esse Reino.
Combatia o pecado, especialmente a hipocrisia e a crueldade para com os fracos, mas não desprezava os pecadores: estava sempre disposto a curar e a perdoar, mesmo antes que as pessoas se mostrassem arrependidas. Para Jesus, o poder de Deus era maior que o pecado, e ele ensinava que o arrependimento e a fé podiam salvar os homens.
Aos seus seguidores, Jesus oferecia normas de vida. Ele ensinava as pessoas a amarem a Deus e aos seus semelhantes com toda a força de seus corações e de suas mentes. Frisava que cada pessoa deveria tratar as outras como gostaria de ser tratada por elas. Ensinava os que O ouviam a não reagirem quando atacados: "A quem te esbofetear a face direita, oferece também a esquerda (Mateus 5:39).

[editar] Milagres
Os Evangelhos falam de 36 milagres de Jesus. Ele nunca os fez em seu próprio benefício. Os supostos milagres suscitavam a admiração de seus discípulos e geravam muitas conversões. O primeiro teria sido em Caná, durante uma festa de casamento. Quando o dono da casa viu que o vinho tinha acabado, Jesus transformou água em vinho. Pouco depois, no lago de Genesaré, teria feito com que Simão Pedro pescasse em sua rede tantos peixes que o barco ameaçou afundar.
Noutra ocasião, conta-se que Jesus abençoou cinco pães e dois peixes, que puderam ser repartidos entre mais de cinco mil homens, mulheres e crianças, recebendo cada qual o suficiente para comer. E, em outra ocasião, Jesus teria deixado perplexos os discípulos, ao caminhar sobre as águas do mar durante uma tempestade.
Muitas histórias dos Evangelhos falam de Jesus curando cegos e doentes. João conta como Jesus trouxe de volta à vida o seu amigo Lázaro, que estava morto e sepultado havia quatro dias. Acreditavam que Jesus usava os seus dons especiais para demonstrar o amor e a misericórdia de Deus.

[editar] A Paixão
Os últimos meses da vida de Jesus representam o que os cristãos chamam de Paixão, ou Seu sofrimento por toda a humanidade. Jesus fizera muitos inimigos em Jerusalém e sabia que corria perigo se fosse àquela cidade. Entretanto, acreditava ter o dever de ir. Estava decidido a pregar a boa nova do Reino de Deus e do perdão. Sentia que viera ao mundo para salvar os outros, com o sacrifício de Sua própria vida.

[editar] A Última Ceia
Jesus chegou a Jerusalém para a semana da Páscoa judaica. No domingo, fez uma entrada triunfal na cidade. O povo estava agradecido pelas suas curas e pelos Seus ensinamentos, e muitos acreditavam que ele traria à nação judaica uma vida melhor. Por isso, enquanto ele passava, o povo o aplaudia e cobria Seu caminho com panos e ramos de palmeira.

[editar] Os distúrbios que Jesus provocou no Templo de Jerusalém
No templo de Jerusalém em tempo de Pessach, os Judeus traziam oferendas para a casa de Deus. As oferendas, (Korban) eram feitas em espécie, sobretudo na forma de animais, ou em dinheiro. Os sacerdotes do templo recebiam as ofertas, que eram em parte queimadas (para Deus), a parte restante sendo redistribuida entre a classe dos sacerdotes e entre os pobres. Alguns Judeus traziam animais, outros compravam-nos à entrada do templo, onde vendedores os serviam. Juntamente com estes vendedores à entrada do templo havia cambistas, pessoas que trocavam moedas gregas e romanas em moedas judaicas, as únicas que eram aceites pelos sacerdotes do templo, aparentemente porque no templo, um lugar simbólico do Judaísmo, não deveriam circular moedas onde figurassem Deuses e imperadores estrangeiros (romanos ou gregos). O templo de Jerusalém era na altura um lugar sagrado do Judaísmo, como hoje Meca e Medina são lugares sagrados do Islão.
A troca de dinheiro dos conquistadores estrangeiros, a moeda forte, como hoje em muitos países o dólar, pelo dinheiro local judeu para possibilitar a realização de uma tradição judaica devia tornar evidente aos olhos dos judeus compatriotas de Jesus, o quanto o sistema político e económico imposto pelos romanos "corrompia" a religião judaica. Era evidente que o sistema religioso, as famílias judaicas (a casta dos saduceus que se tinham "arranjado" com a nação ocupante), viviam à custa de dinheiro "sujo", branqueado por estes cambistas.
Ao protestar contra os cambistas do templo, Jesus estaria a mostrar aos seus contemporâneos em que medida o sistema político e económico imposto pela nação invasora corrompia a verdadeira religião judaica. Este tipo de protestos não era novo. Sabemos pelo relato de Flávio Josefo que poucos anos antes, Pôncio Pilatos se apropriou dos fundos do templo para a construção de um aqueduto, causando a ira e o protesto de muitos Judeus, protestos que foram abafados violentamente pela acção de um grupo para-militar às ordens de Pilatos.
Os evangelhos relatam como Jesus provocou desacatos à ordem pública, voltando as mesas dos comerciantes de moedas, protestando vivamente. Foi um acto de violência física único na vida de Jesus e que por isso tem causado muitas dificuldades à interpretação oficial das Igrejas Cristãs, que preferem não dar muita importância ao evento. Todavia há que salientar que foi este evento, observado de perto pelas autoridades romanas e pelos sacerdotes do templo, que iria desencadear a perseguição, o julgamento e finalmente a sua condenação à morte.
A Igreja católica tentou por muito tempo interpretar este acto violento de Jesus como justificado com base numa crítica à actividade comercial em geral. Esta a visão anti-comercial e anti-capitalista que prevaleceu na Idade Média (Ver Sociologia da religião#Do Judaísmo para o Cristianismo). "Jesus disse que a casa de Deus era lugar de oração e não de comércio".
Outra interpretação possível e conveniente à Igreja Católica é a possibilidade de Jesus ter protestado contra este comércio porque ele teria supostamente querido uma abertura do Templo aos não Judeus.
Durante os dias seguintes, Jesus passou boa parte do tempo pregando em Jerusalém. No tempo restante, Ele meditava e orava em Betânia, a leste da cidade. Na quinta-feira à noite, participou da Última Ceia, com os doze apóstolos, em Jerusalém. Três dos Evangelhos afirmam ser aquela a ceia da Páscoa. Nessa ocasião, Jesus disse aos apóstolos que um deles haveria de trai-lO, e prometeu que os encontraria de novo no Reino de Deus. Ao servir o pão e o vinho, disse: "Este é o meu corpo" e Este é o meu sangue". Essa ceia deu origem à comunhão cristã.

[editar] O Julgamento
Mais tarde, na mesma noite, Jesus foi para o jardim de Getsêmani, na encosta do monte das Oliveiras, em frente ao Templo. Três discípulos - Pedro, Tiago e João - faziam-lhe companhia, mas logo adormeceram. Jesus orou em agonia espiritual, mas submeteu-se à vontade de Deus. Um pelotão de homens armados chegou ao jardim para prender Jesus enquanto ele orava. Judas Iscariotes, um dos apóstolos, indicou quem ele era com um beijo. Judas havia traído o Mestre por 30 moedas de prata. Mateus conta que, depois disso, Judas enforcou-se.
Os soldados levaram Jesus para a casa do supremo sacerdote. A lei judaica não permitia que o Sinédrio, a suprema corte judaica, se reunisse durante o Pessachou condenasse um homem à morte durante a noite. Mas alguns membros do Sinédrio resolveram interrogar Jesus de qualquer modo. Primeiro o acusaram de ameaçar destruir o Templo, mas as testemunhas entraram em desacordo. Por fim, perguntaram a Jesus se ele era o Messias, o Filho de Deus e rei dos judeus. Jesus respondeu que era, e foi então acusado de blasfemar ao dizer-se Deus.
Na manhã de sexta-feira, os líderes judeus levaram Jesus à presença de Pôncio Pilatos, que então governava a província romana da Judéia. Acusavam-no de estar traindo Roma ao dizer-se rei dos judeus. Como Jesus era galileu, Pilatos enviou-o a Herodes Antipas - filho de Herodes, o Grande - que governava a Galiléia. Lucas conta que Herodes zombou de Jesus, vestindo-o com um manto real, e devolveu-o a Pilatos.
Era de praxe os governantes romanos libertarem um prisioneiro judeu por ocasião do Pessach. Pilatos expôs Jesus e um assassino condenado, de nome Barrabás, na escadaria do palácio, e pediu à multidão que escolhesse qual dos dois deveria ser posto em liberdade. A multidão voltou-se contra Jesus e escolheu Barrabás. Pilatos condenou então Jesus a morrer na cruz. A crucificação era uma forma comum de execução romana, aplicada, em geral, aos criminosos de classes inferiores.

[editar] A Crucificação

O flagelo de Cristo (do ponto-de-vista católico); pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
Os soldados romanos zombaram de Jesus por considerar-se rei dos Judeus. Vestiram-no com um manto vermelho, puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos e, na mão, uma vara de bambu. A seguir, espancaram-no e cuspiram nele. Forçaram-no a carregar a própria cruz, como um criminoso. Ao vê-lo perder as forças, ordenaram a um homem, de nome Simão Cireneu, que tomasse da cruz e a carregasse durante parte do caminho.
Os romanos pregaram Jesus na cruz fora da cidade, num monte chamado Gólgota ou Calvário. João conta que escreveram, no alto da cruz, a frase latina Iesus Nazarenus Rex Iudeorum, que significa Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. Essa inscrição foi também feita em grego e em hebraico. Puseram a cruz de Jesus entre as de dois ladrões. Antes de morrer, Jesus disse: "Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem" (Lucas 23:24). Durante sua agonia, ele se lamentou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mateus 27:46). Depois de três horas, Jesus morreu. José de Arimatéia e Nicodemos depuseram o seu corpo num túmulo recém-aberto, e o fecharam com uma pedra.

[editar] A Ressurreição
Os Evangelhos contam que, no domingo de manhã, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus. Encontrou a pedra fora do lugar e o túmulo vazio. Depois disso, Jesus apareceu a ela e a Simão Pedro. Dois discípulos viram-no na estrada de Emaús. Os Evangelhos dizem que os onze apóstolos fiéis encontraram-se com ele, primeiro em Jerusalém e depois na Galiléia. Ele ainda os ensinou durante 40 dias e então subiu ao Céu.

[editar] O apóstolo Paulo
Segundo os textos bíblicos, Jesus teria revelado-se - ou ressucitado para os católicos, ou materializado para os espiritualistas - a Saulo de Tarso quando este estava a caminho de Damasco. Saulo era Judeu e perseguidor dos primeiros cristãos, até que teve um encontro com Jesus no meio de uma tempestade de areia. Após três dias cego, possivelmente como consequência da tempestade, converteu-se ao cristianismo. Com a visão restaurada, passa a pregar o evangelho de Jesus aos gentios (não-judeus). Saulo teve seu nome mudado para Paulo e escreveu 14 Epístolas (cartas) contidas no novo testamento (Romanos; 1 e 2 Coríntios; Gálatas; Efésios; Filipenses; Colossenses; 1 e 2 Tessalonissenses; 1 e 2 Timóteo; Tito; Filemom; e Hebreus).

[editar] Relíquias de Jesus
Ver Prepúcio Sagrado, Santo Sudário

[editar] Nomes títulos de Jesus
Yeshua, nome original, é diminutivo de Yehoshua, "Josué".
Raiz de David
Leão da Tribo de Judá (Yehudah)
Príncipe da Paz
Pedra Angular
Cordeiro de Deus
Pão da Vida
Fiel e Verdadeiro
Filho do Homem
Estrela da Manhã
Rosa de Sarom
Alfa e o Ômega (Aleph e o Tav / no original), "Princípio e Fim" (considera-se que se aplica ao Messias, embora possa ser aplicado a Deus)
Rei dos Reis
Senhor dos Senhores
O Messias (Ha-Mashiach)
O Filho de Deus (diversas interpretações)
O amado de todas as nações
A segunda pessoa da Santíssima Trindade (segundo a Igreja Católica e na grande maioria das religiões cristãs)
Emanuel (Deus connosco)
Luz do Mundo

[editar] Data de nascimento
A data de nascimento de Jesus é muito discutida. Devido a falhas do calendário há quem diga que Jesus teria nascido por volta do ano 6 d.C. . Porém, considerando que Jesus nasceu pouco tempo antes da morte de Herodes isto coloca-nos numa data anterior a 4 a.C..
Outra ajuda que temos para facilitar a localização da data do nascimento de Jesus foi que este ocorreu a quando José foi a Belém com sua família para participar do recenseamento.
Os romanos obrigaram o recenseamento de todos os povos que lhes eram sujeitos a fim de facilitar a cobrança de impostos, o que se tornou numa valiosa ajuda na localização temporal dos factos, uma vez que ocorreu exactamente 4 anos antes da morte de Herodes, no ano 8 a.C..
Entretanto, os Judeus tomaram providência no sentido de dificultar qualquer tentativa por parte dos ocupantes em contar o seu povo, pelo que, segundo a história, nas terras judaicas este recenseamento ocorrera um ano depois do restante império romano, ou seja no ano 7 a.C.. Em Belém, o recenseamento ocorrera no oitavo mês, pelo que se concluiu que, Jesus nascera provavelmente no mês de Agosto do ano 7 a.C..
Outros factos também ajudam a estimar a data exata. Conforme é relatado pelos textos bíblicos, no dia seguinte ao nascimento de Jesus, José fez o recenseamento da sua família, e um dia depois, Maria enviou uma mensagem a Isabel relatando o acontecimento.
A apresentação dos bebês no templo, bem como a purificação das mulheres teria de ocorrer até aos vinte e um dias após o parto. Jesus foi apresentado no templo de Zacarias, segundo os registos locais, no mês de Setembro num sábado. Sabe-se que Setembro do ano 7 a.C. teve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação seria o de 11. Logo Jesus teria nascido algures depois de 21 de Agosto do ano 7 a.C..

[editar] Ascendência de Jesus
Marcos e Mateus apresentam diferentes ascendências para Jesus. Cada evangelista expõe a genealogia de uma forma diferente, Lucas por exemplo nos mostra a genealogia partindo de maria, representada por José até Adão. Na tradição judaica quando um homem se casava com uma mulher, era considerado filho dos sogros.

[editar] Segundo Marcos
Jesus era filho de José, que era filho de Jacob, que era filho de Matan, que era filho de Eleazar, que era filho de Eliud, que era filho de Aquim, que era filho de Sadoc, que era filho de Azor, que era filho de Eliaquim, que era filho de Abiud, que era filho de Zorobabel, que era filho de Salatiel, que era filho de Jeconias, que era filho de de Josias, que era filho de Amon, que era filho de Manasses, que era filho de Ezequias, que era filho de Acaz, que era filho de Joatão, que era filho de Ozias, que era filho de Joroão, que era filho de Josafat, que era filho de Asa, que era filho de Abia, que era filho de Roboão, que era filho de Salomão, que era filho de David.

[editar] Segundo Mateus e Lucas
Jesus era filho de José, que era filho de Eli, que era filho de Matat, que era filho de Levi, que era filho de Melqui, que era filho de Joana, que era filho de José, que era filho de Matatias, que era filho de Amós, que era filho de Naúm, que era filho de Essi, que era filho de Nagai, que era filho de Maath, que era filho de Matatias, que era filho de Semei, que era filho de José, que era filho de Judá, que era filho de Joana, que era filho de Resa, que era filho de Zorobabel, que era filho de Salatiel, que era filho de Neri, que era filho de Melqui, que era filho de Adi, que era filho de Cuzan, que era filho de Elmudan, que era filho de Er, que era filho de José, que era filho de Eliezer, que era filho de Jurim, que era filho de Matat, que era filho de Levi, que era filho de Simeon, que era filho de Judá, que era filho de José, que era filho de Jonan, que era filho de Eliaquim, que era filho de Melea, que era filho de Mainan, que era filho de Matata, que era filho de Natan, que era filho de David. No evangelho de Lucas a genealogia segue-se até Adão.

[editar] Ver também
Jesus Cristo
Cristianismo
Judaísmo Messiânico
Sinagoga de Cafarnaum - sinagoga construída no mesmo local onde Jesus ensinou, ainda existente.
Códice Sinaiticus
Milagres de Jesus
Testimonium Flavianum - A passagem em que o historiador judeu Flávio Josefo escreve sobre Jesus no ano 93.
Maria Madalena
Isa - perspectiva muçulmana da figura de Jesus, considerado um profeta no islão.
Lista de pessoas proclamadas Messias-uma lista de pessoas através da história que foram consideradas Messias .
Bíblia
Evangelho



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus

18 Novembro 2006

ZUMBI DOS PALMARES

18 Novembro 2006
Zumbi dos Palmares: Símbolo de coragem e resistência à opressão
Em 20 de novembro o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra, data que homenageia o herói negro Zumbi dos Palmares. O assassinato do último líder do Quilombo dos Palmares - no dia 20 de novembro de 1695 - marcou uma das maiores e mais sangrentas lutas contra o escravismo no Brasil, a luta de resistência dos escravos nos quilombos.Entregue como presente ainda recém-nascido a Antônio Melo, um padre da Vila de Recife, Zumbi foi batizado como Francisco e educado pelo padre que lhe ensinou a ler e escrever em português e latim. Criado como filho do pároco, no entanto, aos 15 anos já não suportava mais ver os outros negros sendo humilhados e mortos em praça pública e resolveu fugir para seu lugar de nascimento, o Quilombo dos Palmares, o maior de todos, localizado na Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas. Ao chegar no quilombo recebeu uma nova família e o nome de Zumbi.Devido a sua resistência perseverante, a situação do Quilombo dos Palmares estava se tornando constrangedora para a coroa de Portugal. Neste momento os senhores de engenho ofereceram um acordo para Ganga Zumba, na época o rei do quilombo, de que se desfizesse o quilombo, que inspirava outros a resistir, e todos os escravos fugidos sairiam livres. Zumbi ficou desconfiado e não quis aceitar, mas Ganga Zumba, que possivelmente era seu tio de sangue, acabou cedendo ao acordo. Logo Ganga Zumba foi capturado e morto pelos senhores de engenho, então Zumbi, rapidamente, reestruturou o quilombo.Zumbi se destacava por seu conhecimento e coragem e, aos 17 anos, se tornou o general de armas do Quilombo dos Palmares, cargo semelhante ao de ministro de guerra nos dias de hoje. No cargo, mostrou-se um excelente estrategista militar, podendo ser comparado a outros grandes estrategistas da História ocidental. O quilombo era uma espécie de arraial militar e núcleo habitacional onde os escravos foragidos podiam se refugiar e se defender dos escravocratas e da coroa portuguesa.O Quilombo dos Palmares resistiu até 1694 sob a liderança de Zumbi, quando uma expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho o exterminou. Zumbi conseguiu escapar junto a outros sobreviventes do massacre e se refugiou na Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.Lá ficou foragido por quase um ano, quando, em 20 de novembro de 1695 foi traído por um de seus principais comandantes, Antonio Soares, que recebeu a liberdade em troca da delação do rei Zumbi. Após muita tortura, o bandeirante Jorge Velho decapitou Zumbi e deixou sua cabeça exposta na Praça do Carmo, em Recife, onde ficou por anos até a sua completa decomposição.Em 14 de março de 1696 o então governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao rei de Portugal: "Determinei que se pusesse a cabeça (de Zumbi) em um pau no lugar mais público desta praça a satisfazer os ofendidos e justamente queixosos em atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam o Zumbi imortal, pelo que se entende que nesta empresa se acabou de todo com os Palmares".Zumbi dos Palmares é hoje, para todo o povo brasileiro, um símbolo da resistência contra a opressão e, em 1995, a data de sua morte foi adotada como o Dia da Consciência Negra.
ALEXANDRE SOUZA www.horadopovo.com.br

Fonte: http://por1novobrasil.blogspot.com

17 Novembro 2006

CASTRO ALVES

A canção do africano

Castro Alves

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...


De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!


"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!


"0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!


"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...


"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".


O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!


............................


O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.


E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/agindicegeral.htm

“Uma lição de como devemos compreender a literatura, de como realizá-la, de como fazê-la válida e prestante para a comunidade. Ele está presente entre nós pela riqueza de sentido de sua obra, pela beleza imorredoura de sua poesia, pelo arrojo de suas imagens, pela infinita doçura e singeleza de seu lirismo, pela graça de sua linguagem, pela fidelidade à natureza, pela correspondência com a sensibilidade brasileira.
É o poeta da Raça, mercê de notável congenialidade com o gosto poético do povo brasileiro, que lhe dá sua preferência – o mais lido e popular de nossos vates.
Contudo, além da consonância com os ideais de seu povo, a grandeza de Castro Alves reside também em finos efeitos poéticos, em cuja obtenção ele utilizou recursos e artifícios de linguagem e estilo – meios estéticos e literários – que a crítica moderna está analisando e explicando, em conseqüência do que tem resultado compreender melhor sua posição singular na literatura lírica brasileira.”

(Afrânio Coutinho, Castro Alves – Obra completa, Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1986. Nota editorial.)

Fonte: http://www.panoramadapalavra.com.br/poesia_maior51.html

Castro Alves morreu com apenas 24 anos, nasceu em 1847 vindo a falecer em 1871.

Fonte: http://www.aliteratura.kit.net/resumo/curiosidades.html

RUI BARBOSA

Glossário Fotografias Variedades Biografias Período I - Luta pela Cidadania
1849/1865 - Nasce Rui Barbosa1849/1865 - Infância e juventude 1866/1870 - Formação e primeiras lutas1866/1870 - Semente Revolucionária1871/1878 - Advogado, jornalista e deputado1878/1889 - Na corte 1878/1889 - Passos para a Lei Áurea 1878/1889 - A queda do Império Período II - A construção da Repúlica
1889 - A República1889/1890 - Igreja é Igreja, Estado é Estado1889/1890 - Ministro da fazenda1890/1891 - A Constituinte1891/1892 - A primeira grande crise 1893 - Revolta da Armada1893/1895 - Exílio1895/1904 - Agora a luta é pela anistia Período III - O vôo da águia
1907 - A Águia de Haia1907 - Respeito dos grandes e fortes 1907 - Impasse na Conferência de Haia: todos são iguais?1907 - O Mito1909/1910 - Campanha Civilista1909/1910 - Aos 60 anos candidato à presidência1909/1910 - Derrota nas eleições fraudulentas 1910 - A Revolta da Chibata Período IV - A questão social
1911/1916 - Código Civil e Direito Internacional1917 - O Brasil na guerra1918 - Jubileu Cívico1918 - A biblioteca de Rui1919 - Campanha de 19191919 - A questão social na plataforma de Rui1919/1920 - Últimos tempos1921/1923 - Honras de chefe de estado


Fonte: http://www.projetomemoria.art.bR/

FLAVIO MOLINA

Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).Nasceu em 8 de novembro de 1947, na Guanabara, filho de Álvaro Andrade Lopes Molina e Maria Helena Carvalho Molina.Morto aos 24 anos, em 1971, em São Paulo.Cursou o primário nos colégios São Bento e São José no Rio de Janeiro. Era um apaixonado pelo camping e o alpinismo.Gostava muito de música clássica e era comum encontrá-lo à noite ouvindo o programa "Primeira Classe", na época produzido pela Rádio Jornal do Brasil.No período de 1966 e 1967, enquanto cursava o científico no Colégio Mallet Soares, no Rio de Janeiro, iniciou a formação de sua consciência política. Havia muitas manifestações estudantis, por um lado, e muita repressão policial, por outro.Em 1968 entrou para a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha.Foi preso em manifestação estudantil durante invasão do Campus pela polícia, sendo levado em seguida para o antigo campo de futebol do Botafogo, ao lado do Hospital Rocha Maia, assistindo ali às mais diversas atrocidades cometidas contra moças e rapazes, colegas seus. Foi fichado e solto no dia seguinte.Em julho de 1969, vendo-se perseguido pelas forças da repressão, já tendo sido indiciado em inquérito na 2ª Auditoria do Exército, do qual foi posteriormente absolvido, e temendo a possibilidade de ser preso novamente, optou por deixar a casa de seus pais, visando não transferir para a família a repressão a ele dirigida. Trancou matrícula na Universidade e passou a viver clandestino, militando na ALN.Teve sua prisão preventiva solicitada em duas ocasiões, 06 de novembro de 1969 e 30 de janeiro de 1970.Viveu em Cuba de novembro de 1969 até meados de 1971, quando retornou ao Brasil já como militante do MOLIPO.Manteve contatos com a família através de encontros ou de cartas, até julho de 1970.Preso no dia 6 de novembro de 1971, em São Paulo, por agentes do DOI-CODI/SP, em cuja sede foi torturado até a morte.Nas dependências do DOI/CODI, Flávio foi assassinado sob tortura no dia 7 de novembro de 1971. Entretanto, a versão oficial é a de que ele teria sido morto ao tentar reagir à prisão.A primeira informação de sua morte foi em 29 de agosto de 1972, quando "O Globo" e o "Jornal do Brasil" noticiaram o fato como ocorrido em choque com policiais em São Paulo, referindo-se à data retroativa. A família consultou às autoridades quando, então, foi negada a veracidade da notícia.A prisão e morte de Flávio Molina não foram assumidas pelos órgãos de segurança de imediato.Sua família tentava desesperadamente alguma notícia, nas prisões e quartéis – tudo em vão. Flávio, já morto, foi processado como revel e, apenas quando do julgamento é que seu nome foi excluído do processo por morte, extinguindo sua punibilidade. Mesmo assim, a família não recebeu qualquer notificação sobre o ocorrido.Somente em julho de 1979 a família, por investigação própria e com apoio dos Comitês Brasileiros de Anistia, tomou conhecimento de seu assassinato através de documentos oficiais anexados a um processo na 2ª Auditoria da Marinha, sem que jamais tivesse havido uma comunicação, mesmo que informal, a seus familiares.Nessa documentação, a Auditoria é informada da morte de Flávio, cujo corpo tinha sido enterrado como indigente, em 9 de novembro de 1971, no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob o nome de Álvaro Lopes Peralta. Fica evidente a ocultação premeditada do cadáver de Flávio pelos seus assassinos, como mais uma forma de encobrir a morte sob tortura. Não foi permitido à família sequer retirar os ossos de Flávio pois ele foi sepultado na cova n° 14, Rua 11, Quadra 2, Gleba 1, em Perus, São Paulo, como indigente, em 9 de novembro de 1971, com o nome falso e registro n. 3.054, e transferido para uma vala comum, em 1976.A requisição de exame necroscópico no IML/SP, sob o n° 43.715, em 16 de novembro de 1971, com a identidade falsa de Álvaro Lopes Peralta já estava associada à sua verdadeira identidade.Os médicos legistas Renato Capellano e José Henrique da Fonseca procederam à necrópsia.A certidão de óbito, com o mesmo nome, foi registrada sob o nº 50.741 – fl. 191V – livro C.73, tendo sido declarante Miguel Fernandes Zaninello, indivíduo identificado em outubro de 1990, como tenente da polícia militar reformado, conforme depoimento prestado à CPI da Câmara Municipal de São Paulo, no mesmo mês.No documento 52-Z-0 – 38.270, dos arquivos do DOPS/SP constam todos os seus dados, bem como nomes falsos e codinomes, inclusive o de Álvaro Lopes Peralta – com o qual foi lavrada a certidão de óbito e enterrado como indigente no Cemitério de Perus. Em documento assinado pelo então Diretor Geral de Polícia do DOPS, Romeu Tuma, encaminhado à Auditoria Militar, está afirmado que a certidão de óbito de foi "expedida em nome de Álvaro Lopes Peralta, nome falso de Flávio Carvalho Molina".Ofício do CENIMAR n. 0396, de 13/07/70, informa que Flávio Carvalho Molina, usava o nome falso de Alvaro Lopes Peralta, o que demonstra que seu nome verdadeiro era conhecido da polícia bem antes de sua morte e o seu sepultamento com nome falso foi intencional.Em outubro de 1979, de posse de documentos oficiais, a família abriu processo em São Paulo exigindo retificação de assentamento de óbito e reconstituição de identidade, ganhando a causa em 1981.Em 9 de outubro de 1981, houve a oportunidade de abrir a vala comum para a família e constatar a existência das ossadas. Percebeu-se naquela ocasião a necessidade de apoio técnico e respaldo político, o que só foi conseguido em 1990.Em 4 de setembro de 1990, com a abertura da Vala de Perus, as ossadas foram trasladadas para a UNICAMP, onde permaneceram até início de 2000.Em novembro de 1991, transcorridos 20 anos de sua morte, a família, com toda a garra que caracteriza a busca da justiça, abriu processo contra a União Federal na 17ª Vara da Seccional do Rio de Janeiro, protocolo n° 9101180125, sob responsabilidade do Juiz Wanderley de Andrade Monteiro.A característica romântica de Flávio permitiu que compusesse algumas poesias e pequenos ensaios de peças teatrais.Transcrevemos abaixo fragmentos de poesias de sua autoria:
"Balada para alguém distantePor que alguém, mais dia menos dia,Fica ausente?Brincando com o coração da genteTirando a nossa alegria...Por que alguém, mais dia menos dia,Deixa tudo?Deixando também um coração mudoDe tanta melancolia...Por que alguém, mais dia menos dia,Parte para um lugar distante?Causando uma dor talhante,Que ninguém mais avalia..."
"Minha presençaA dor que te devoraMuitos a tem agora.Reage!Luta contra ela,Pois senão te dilaceraE ainda mais vais sofrer,Pois continuará a doer.Estou aqui.Aqui, bem junto a ti.Posso não estar presenteMas por mais que me ausenteSempre estarei aqui.
Flávio 12/02/69"

Fonte: http://www.desaparecidospoliticos.org.br/detalhes1.asp?ID=127

MANOEL FIEL FILHO

Manoel Fiel Filho
Nasceu aos 7 de janeiro de 1927 em Quebrângulo, Estado de Alagoas, filho de Manoel Fiel de Lima e Margarida Maria de Lima.
Operário metalúrgico, casado, tinha filhos.
Foi preso no dia 16 de janeiro de 1976, às 12:00 h, por dois homens que se diziam agentes do DOI-CODI/SP, sob a acusação de pertencer ao (PCB).
Levado para a sede do DOI/CODI, Manoel Fiel foi torturado e, no dia seguinte, acareado com Sebastião de Almeida, preso sob a mesma acusação.
Posteriormente, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manoel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias, naquele mesmo dia 17, por volta das 13 horas.
Entretanto, segundo os depoimentos dos companheiros de fábrica de Manoel, onde ele foi preso, o calçado que usava eram chinelos, sem meias, contrariando a versão oficial.
As circunstâncias da sua morte são idênticas as de José Ferreira de Almeida, Pedro Jerônimo de Souza e Wladimir Herzog, ocorridas no ano anterior.
O corpo apresentava sinais evidentes de torturas, em especial hematomas generalizados, principalmente na região da testa, pulsos e pescoço.
Um fato claramente demonstrativo da responsabilidade dos órgãos de segurança na morte de Manoel Fiel é o afastamento do Gen. Ednardo D’Ávila Melo, ocorrido três dias após a divulgação da sua morte.
Em ação judicial movida pela família, a União foi responsabilizada pela tortura e assassinato.
O exame necroscópico, solicitado pelo delegado de polícia Orlando D. Jerônimo e assinado pelos médicos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, confirma a versão oficial.
Foi enterrado por seus familiares no Cemitério da IV Parada, em São Paulo.
Em documento confidencial encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP seu crime era receber o jornal Voz Operária de Sebastião de Almeida.
Recorte do Jornal da Tarde com carimbo do Setor de Análise do DEOPS, com a Nota do II Exército sobre a morte no DOI, diz:
"O comando do II Exército lamenta informar que foi encontrado morto, às 13:00 hs do dia 17 do corrente, sábado, em um dos xadrezes do DOI/CODI/II Exército, o Sr. Manoel Fiel Filho.
Para apurar o ocorrido, mandou instaurar Inquérito Policial-Militar, tendo sido nomeado o coronel de Infantaria QUEMA (Quadro do Estado Maior da Ativa) Murilo Fernando Alexander, chefe do Estado Maior da 2ª Divisão de Exército."
Documento datado de 28 de abril de 1976 e assinado por Darcy de Araújo Rebello – Procurador Militar, pede o arquivamento do processo alegando: "As provas apuradas, são suficientes e robustas para nos convencer da hipótese do suicídio de Manoel Fiel Filho, que estava sendo submetido a investigações por crime contra a segurança nacional."... "Aliás, conclusão que também chegou o ilustre Encarregado do Inquérito Policial Militar".
O Relatório do Ministério da Aeronáutica mantém a versão oficial.
Depoimento do preso político Antônio d’Albuquerque, em Auditoria Militar, à época, denunciou as torturas sofridas por Fiel Filho, afirmando que foi levado para ver seu cadáver no DOI-CODI/SP junto com outros presos políticos.
Pequena biografia de Manoel Fiel Filho feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, por ocasião do lançamento do livro "Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?", da Editora Escrita, encontrado no antigo arquivo do DEOPS/SP:
"Manoel Fiel, no dia 16 de Janeiro de 1976, havia sido detido ilegalmente às 12:00h por dois policiais que se diziam funcionários da Prefeitura, na fábrica onde trabalhava, a Metal Arte. Puseram-no num carro, foram até sua casa que foi vasculhada por eles. Nada encontraram que pudesse incriminar Fiel Filho.
Diante de sua mulher – Tereza de Lourdes Martins Fiel – levaram-no para o DOI-Codi do II Exército, afirmando que ele voltaria no dia seguinte. Mas ele não voltou.
No dia seguinte, um sábado, às 22:00h, um desconhecido, dirigindo um Dodge Dart, parou em frente à casa do operário e, diante de sua mulher, suas duas filhas e alguns parentes, disse secamente: ‘O Manoel suicidou-se. Aqui estão suas roupas.’ Em seguida, jogou na calçada um saco de lixo azul com as roupas do operário morto.
Sua mulher então começou a gritar: ‘Vocês o mataram! Vocês o mataram!’
Naquela trágica noite, os parentes que foram até o lnstituto Médico Legal tentar recuperar o corpo do operário morto, sentiram-se pressionados. As autoridades só entregavam o corpo com a condição de que Fiel Filho fosse sepultado o mais rapidamente possível e que ninguém falasse nada sobre sua morte. No domingo, dia 18, às 8:00h da manhã, ele foi sepultado. Desde então, a mulher do operário morto e suas duas filhas desaprenderam de sorrir. Obrigadas ao silêncio, elas nem mesmo se manifestaram quando o então comandante do II Exército, general Ednardo D’Ávila Melo, foi exonerado do seu cargo.
Dias depois, um comunicado do II Exército dizia que Fiel Filho havia se suicidado na prisão e que todos os fatos seriam investigados. Em apenas 20 dias, foi feito um inquérito e, mesmo sem qualquer base legal ou provas concretas, concluiu pelo ‘suicidio’.
Logo depois, o processo foi arquivado.
Dois anos se passaram em silêncio. Até que, recentemente, se pôde provar que, antes de morrer, o operário sofrera torturas. Gritava de dor e pedia aos seus torturadores: ‘Pelo amor de Deus, não me matem.’
Seus gritos foram sumindo durante as torturas até que acabou morrendo estrangulado. Não fora suicídio.
Diante das evidências, a viúva Tereza de Lourdes Martins Fiel resolve romper o silêncio e ingressar na Justiça com uma ação cível contra o Governo, requerendo indenização pela morte de seu marido.
‘Não quero dinheiro. Quero justiça!’ disse ela. Além disso, diante dos novos fatos, requereu-se à Justiça Militar que a morte de Fiel seja novamente investigada, o que está para acontecer."

Fonte: http://www.torturanuncamais.org.br/mtnm_mor/mor_mortes_oficiais/mor_1976_manoel_filho.htm

Dênis Antônio Casemiro, Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e outros

Vala de Perus

Em 1990, no dia 4 de setembro, foi aberta a vala de Perus, localizada no cemitério Dom Bosco, na periferia da cidade de São Paulo. Lá foram encontradas 1.049 ossadas de indigentes, presos políticos e vítimas dos esquadrões da morte. Seis presos políticos deveriam estar enterrados nesta vala, de acordo com os registros do cemitério: Dênis Antônio Casemiro, Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus da Silva.O cemitério Dom Bosco foi construído pela prefeitura de São Paulo, em 1971, na gestão de Paulo Maluf e, no início, recebia cadáveres de pessoas não identificadas, indigentes e vítimas da repressão política. Fazia parte de seu projeto original a implantação de um crematório, o que causou estranheza e suspeitas até da empreiteira chamada a construí-lo. Este projeto de cremação dos cadáveres de indigentes, do qual só se tem notícia através da memória dos sepultadores, foi abandonado em 1976. As ossadas exumadas em 1975 foram amontoadas no velório do cemitério e, em 1976, enterradas numa vala clandestina.A família dos irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier Pereira, após diversas tentativas para encontrar seus restos mortais em cemitérios da cidade de São Paulo, descobriu que Iuri estava enterrado no cemitério de Perus, quando do enterro de um tio seu neste mesmo cemitério em dezembro de 1973. Passado algum tempo, a família mostrou ao administrador do cemitério a notícia de jornal onde estava relatada a morte de Alex e indicava o nome falso utilizado por ele durante a clandestinidade, João Maria de Freitas. Assim, o administrador encontrou nos livros de registro do cemitério uma pessoa enterrada com aquele nome. Essa descoberta despertou os familiares para a utilização de identidade falsa para o sepultamento de militantes políticos assassinados.

Fonte: http://www.desaparecidospoliticos.org.br/perus/perus.html

16 Novembro 2006

LUIZ JOSE DA CUNHA

Ato do Translado de Luiz Jose da Cunha em S. PAULO e RECIFE dia 02/09/2006
O pernambucano Luiz Jose da Cunha, Comandante Nacional da ALN (Acao Libertadora Nacional), conhecido tambem como Comandante Crioulo devido a sua origem negra, era um militante politico que defendia os ideais da Democracia e do Socialismo. Engajado na luta contra a ditadura militar, foi assassinado pelos agentes do DOI-CODI na cidade de Sao Paulo, no dia 13 de julho de 1973, e enterrado no Cemiterio de Perus como indigente. (...)Por solicitacao da Comissao de Familiares de Mortos e Desaparecidos Politicos, o Ministerio Publico Federal de Sao Paulo mandou realizar os exames de DNA,com o suporte da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e da Comissao Especial de Mortos Desaparecidos Politicos. O resultado foi positivo e, apos mais 15 anos de luta e espera, finalmente Luiz Jose da Cunha volta para sua terra natal para ser enterrado junto ao tumulo de sua mae.

Fonte: http://www.pernambucoestadodepaz.org.br/asp/Default.asp?ID_PROJETO=19


Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).Nasceu em 2 de setembro de 1943 em Recife, Pernambuco, filho de José Joviano da Cunha e Maria Madalena da Cunha.Foi fuzilado, quando tinha 27 anos, pela equipe do Grupo Especial do DOI-CODI/SP chefiada pelo agente conhecido como "Capitão Nei" e tenente da PM "Lott", na altura do n. 2200 da Av. Santo Amaro, em São Paulo, no dia 13 de julho de 1973.A emboscada montada para o assassinato de Luiz José se estendia por toda a região próxima ao n. 2000 da Av. Santo Amaro. A versão oficial divulgada pelos assassinos de Luiz José afirma que ele, ao ser abordado em virtude de sua atitude suspeita, teria reagido a tiros, procurando fugir ao tentar tomar à força um carro dentro do qual havia duas moças.Segundo o testemunho de numerosos populares que assistiram a cena, Luiz José realmente tentou tomar o carro mas, antes de ter qualquer chance de defesa, foi atingido pelas costas.Os tiros que feriram as duas moças, segundo ainda os depoimentos dos populares, seriam provenientes das balas dos agentes, que atiravam constante e indiscriminadamente.O laudo necroscópico foi assinado pelos médicos legistas Harry Shibata e Orlando Brandão. As fotos de seu corpo evidenciam torturas, o que faz supor que ele teria sido preso e torturado antes de ser morto.Foi enterrado no Cemitério de Perus, em São Paulo, como indigente. Seu corpo, exumado em 1991, estava junto com outros em Perus, os quais foram levados para a UNICAMP para identificação. Em 2001, as ossadas que se encontravam na UNICAMP foram transferidas para o IML/SP, na tentativa de dar continuidade ao processo de identificação.

Fonte: http://desaparecidospoliticos.org.br

CARLOS MARGHELLA

Carlos Marighela Líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) Caso: FREI TITO 16/11/2006 O principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) combateu a ditadura Vargas e mais tarde o regime militar sempre empunhando a bandeira do Socialismo. Baiano de nascimento, Marighela era filho de um italiano com uma mulher de origem africana. Teórico do marxismo mas com reconhecida disposição para conflitos armados, deixou como legado o “Manual do guerrilheiro urbano”, uma cartilha que se pretende organizadora de movimentos de libertação de massa. Foi emboscado e morto pelo grupo do delegado Sérgio Fleury na Alameda Casa Branca, em São Paulo, em 4 de novembro de 1969.

Fonte: O Programa Linha Direta/TV Globo, exibiu nsta noite de 16/11/2006 documentário sobre prisão, tortura, exílio e morte de Frei Titto

Fonte: http://linhadiretajustica.globo.com/Linhadireta/0,26665,VYJ0-5259-235341,00.html




Liberdade

Carlos Marghella

Não ficarei tão só no campo da arte,e, ânimo firme, sobranceiro e forte,tudo farei por ti para exaltar-te,serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-tedominadora, em férvido transporte,direi que és bela e pura em toda parte,por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,que não exista força humana algumaque esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,possa feliz, indiferente à dor,morrer sorrindo a murmurar teu nome”
São Paulo, Presídio Especial, 1939

O país de uma nota só

Carlos Marighella

Não pretendo nada,nem flores, louvores, triunfos.nada de nada.Somente um protesto,uma brecha no muro,e fazer ecoar,com voz surda que seja,e sem outro valor,o que se esconde no peito,no fundo da almade milhões de sufocados.Algo por onde possa filtrar o pensamento,a idéia que puseram no cárcere.
A passagem subiu,o leite acabou,a criança morreu,a carne sumiu,o IPM prendeu,o DOPS torturou,o deputado cedeu,a linha dura vetou,a censura proibiu,o governo entregou,o desemprego cresceu,a carestia aumentou,o Nordeste encolheu,o país resvalou.Tudo dó,tudo dó,tudo dó...E em todo o paísrepercute o tomde uma nota só...de uma nota só...

Rondó da Liberdade

Carlos Marighella

É preciso não ter medo,é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,que não é racional renunciar a ser livre.Mesmo os escravos por vocaçãodevem ser obrigados a ser livres,quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,é preciso ter a coragem de dizer.O homem deve ser livre...O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,e pode mesmo existir quando não se é livre.E no entanto ele é em si mesmoa expressão mais elevada do que houver de mais livreem todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,é preciso ter a coragem de dizer.

Fonte: http://www.carlos.marighella.nom.br/escrito.htm

FREI TITO

Frei Tito Frade dominicano que lutou contra o regime militar Caso: FREI TITO 16/11/2006 Tito de Alencar Lima, um frade cearense adepto da luta contra a ditadura militar, é para muitos um dos mais destacados militantes revolucionários. Foi a partir de uma engenhosa artimanha que ele fez sair dos porões do Dops uma carta onde denunciava todos os desmandos praticados contra prisioneiros políticos. A denúncia escrita correu o mundo e foi publicada pelos mais expressivos jornais do exterior. Banido do Brasil numa troca por um diplomata suíço, Tito tentou abrigar-se em Roma, mas foi rejeitado pelo corpo eclesiástico do Colégio Pio XII Brasileiro que o via como um religioso terrorista - o colégio era mantido com verba do governo militar. Exilado na França, foi perseguido pelos agentes do regime que chegaram a ofendê-lo e agredi-lo em um café em Paris. Consumido pela dor e pelos fantasmas da repressão, foi pouco a pouco sucumbindo à tristeza e angústia. Encontrou a libertação dos males dependurando-se em uma árvore dos arredores de Lyon. Sua morte foi, para muitos, o primeiro golpe fatal a atingir a ditadura que já naquela época dava sinais de irreversível desgaste. A autorização para o traslado do corpo de Tito pelo regime só aconteceu nove anos após a sua morte. Depois de um ato ecumênico dos mais tensos, realizado na Igreja da Sé, em São Paulo, dirigido pelo cardeal arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, seguiu para Fortaleza onde uma multidão o aguardava. Ao chegar, a família se surpreendeu com o estado quase imaculado do seu corpo.

Fote: O Programa Linha Direta/Tv Globo, 16/11/2006, exibiu um documentário sobre a prisão, tortura, exílio e morte de Frei Titto
http://linhadiretajustica.globo.com/Linhadireta/0,26665,VYJ0-5259-235244,00.html

Tito de Alencar Lima (Frei )
Frade dominicano.
Nascido em Fortaleza/CE no dia 14/09/45, filho de Ildefonso Rodrigues de Lima e Laura Alencar Lima.
Estudou em Fortaleza com os padres jesuítas. Foi dirigente regional e nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Em 1965, ingressou na Ordem dos Dominicanos, sendo ordenado sacerdote em 1967, e também foi aluno de Filosofia da USP.
Militante da Ação Estudantil Católica, foi seu coordenador para o Nordeste. Foi preso em 1968, sob a acusação de ter alugado o sítio onde se realizou o Congresso da UNE, em lbiúna.
Preso novamente em 4 de novembro de 1969, em companhia de outros padres dominicanos porque acusados de terem ligações com a ALN e Carlos Marighela.
Frei Tito foi torturado durante 40 dias pela equipe do delegado Sérgio Fleury. Transferido depois para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu até dia 17 de dezembro. Nesse dia, foi levado para a sede da Operação Bandeirantes (DOI-CODI/SP), quando o Capitão Maurício Lopes Lima, disse-lhe: "Agora você vai conhecer a sucursal do inferno". E foi o que ocorreu. Torturado durante dois dias, pendurado no pau-de-arara, recebendo choques elétricos na cabeça, órgãos genitais, nos pés, mãos, ouvidos, com socos, pauladas, "telefones", palmatórias, "corredor polonês", "cadeira do dragão", queimaduras com cigarros, tudo acompanhado de ameaças e insultos. A certa altura, o Capitão Albernaz ordenou-lhe que abrisse a boca para receber a hóstia sagrada, introduzindo-lhe um fio elétrico que queimou-lhe boca a ponto de impedi-lo de falar.
Frei Tito foi deixado durante toda uma noite no pau-de-arara e, no dia seguinte, tentou o suicídio com uma gilete, sendo conduzido às pressas para o Hospital do Exército do Cambuci, onde ficou cerca de uma semana sob tratamento médico sem, contudo, deixar de ser submetido a tortura psicológica constante.
Banido do país, em 13 de janeiro de 1971, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, viajou para o Chile e depois para a Itália e a França.
Após algum tempo, instalou-se na comunidade dominicana de Arbresle, tentando desesperadamente lutar contra os crescentes tormentos de sua mente, abalada profundamente pela tortura. Já no exílio, foi condenado pela 2ª Auditoria a pena de 1 ano e meio de reclusão, em 23 de fevereiro de 1973.
No dia 7 de agosto de 1974, com 31 anos de idade, Frei Tito enforcou-se, pendurando-se em uma árvore. Foi enterrado no Cemitério Dominicano de Sainte Marie de la Tourette, próximo a Lyon, na França. Em 25 de março de 1983, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil, acolhidos solenemente na Catedral da Sé, em São Paulo, com missa rezada por D. Paulo Evaristo Arns e enterrado no jazigo de sua família em 26/03, em Fortaleza

Fonte: http://www.torturanuncamais.org.br/mtnm_mor/mor_mortes_exilio/mor_tito_lima.htm