Nota: Esta página é sobre a figura histórica de Jesus e seus aspectos biográficos. Se procura outros significados da mesma expressão, consulte
Cristo.
Mosaico representando Jesus Cristo, patente na antiga
Basílica Ortodoxa de
Hagia Sophia,
Istambul, datado de cerca de
1280.
Jesus de Nazaré, Jesus Nazareno ou Jesus da Galiléia (
8-
4 a.C. –
29-
36 d.C.) teria nascido em
Belém com o nome de
Yeshua ben(bar)-Yoseph, ou seja, Jesus filho de José. Os seus ensinamentos serviram de alicerce na fundação da
religião cristã, na qual ele é chamado como
Jesus Cristo. No
judaísmo messiânico ele é tido como um rabino especial (um
Messias), para os adeptos do
islamismo Jesus é um grande
profeta. A sua influência também é marcante em outras religiões, como as de origem
gnósticas e
espiritualistas.
O nome Jesus (do
hebraico,
Yeshua), significa "Salvador", ou "auxílio do Senhor" (Yah). Seus discípulos o chamavam
Messias, ou "o ungido do Senhor". O nome
Cristo vem do
grego Χριστός (Christós), que significa "Ungido". Os
cristãos consideram-no o
filho de Deus e, para a maioria das entidades cristãs, também o próprio
Deus, que teria sido enviado à Terra para salvar a
humanidade.
Sua influência foi provavelmente maior que a de qualquer outra pessoa que já tenha existido. Muitos atribuem que esta influência é a consequência da adoção do cristianismo - doutrina fundada pelos seus seguidores - como religião oficial do Império Romano sob
Constantino, no século IV d.C. e, posteriormente, à difusão da cultura cristã pelo colonialismo europeu entre os séculos XV e XX. Contudo, nos dias atuais, a influência de Jesus já extrapolou os limites da própria igreja católica, quando doutrinas de cunho gnósticos e espiritualistas buscam resgatar - principalmente através de originais dos
textos bíblicos ou
apócrifos - os ensinamentos originais de Jesus.
Índice[
esconder]
1 Nascimento e infância1.1 Preparação para o nascimento e anunciação segundo Lucas1.2 O Nascimento1.3 Infância2 Vida Pública2.1 Ministério2.2 Ensinamentos2.3 Milagres3 A Paixão3.1 A Última Ceia3.2 Os distúrbios que Jesus provocou no Templo de Jerusalém3.3 O Julgamento3.4 A Crucificação3.5 A Ressurreição4 O apóstolo Paulo5 Relíquias de Jesus6 Nomes títulos de Jesus7 Data de nascimento8 Ascendência de Jesus8.1 Segundo Marcos8.2 Segundo Mateus e Lucas9 Ver também10 Ligações externas//
[
editar] Nascimento e infância
Grande parte do que é conhecido sobre a vida e os ensinamentos de Jesus é contado por cinco pequenos livros do
Novo Testamento da
Bíblia, designados por
Evangelhos canônicos:
Evangelhos de
Mateus,
Marcos,
Lucas e
João, os
Atos dos Apóstolos. Os
Evangelhos Apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados com a infância de Jesus, nomeadamente no
Evangelho de Judas e no
Evangelho de Tomé.
Esses Evangelhos narram os fatos mais importantes da vida de Jesus. Os
Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos seguintes. As Epístolas (ou cartas) de
Paulo também dizem alguma coisa sobre Jesus e algumas de suas palavras aparecem noutros lugares. Notícias não-cristãs de Jesus e do tempo em que ele viveu encontram-se nos escritos de
Josefo, que nasceu no ano
37 d.C.; nos de
Plínio, o Moço, que escreveu por volta do ano
112; nos de
Tácito, que escreveu por volta de
117; e nos de
Suetônio, que escreveu por volta do ano
120. Todos eles escreveram sobre Jesus muitos anos após a morte dele.
[
editar] Preparação para o nascimento e anunciação segundo
LucasO trabalho da vida de Jesus na Terra, teria sido iniciado por
João Batista.
Zacarias, o pai de João, era um
sacerdote judeu, enquanto a sua mãe,
Isabel, era membro do ramo mais próspero do mesmo grande grupo familiar ao qual também pertencia
Maria, a mãe de Jesus. Zacarias e Isabel, embora estivessem casados há muitos anos, não tinham filhos.
Levando em conta a datação do nascimento de Jesus (neste mesmo artigo), aconteceu que, algures no final do mês sexto, do ano
8 a.C., cerca de três meses após o casamento de José e Maria,
Gabriel, certo dia, apareceu a Isabel, ao meio-dia, tal como mais tarde se apresentaria perante Maria. E Gabriel contou-lhe do nascimento do seu filho João e do nascimento de um menino esperado na sua parente Maria.
Essa visão tocou Isabel profundamente, mas não falou da revelação a ninguém, excepto ao seu marido, até que posteriormente visitasse Maria, em princípios do segundo mês do seguinte.
Durante cinco meses, contudo, Isabel guardou aquele seu segredo até mesmo do marido. Quando contou a ele, sobre a visita de Gabriel, Zacarias permaneceu céptico e por semanas duvidou de toda a experiência, só consentindo em acreditar na visita de Gabriel à sua esposa, e sem maior entusiasmo, quando não mais podia duvidar de que ela esperava uma criança. Zacarias ficou muito perplexo com a maternidade próxima de Isabel, mas não duvidava da integridade da sua esposa, apesar da idade avançada dele. E, apenas seis semanas antes do nascimento de João, é que Zacarias, em consequência de um sonho impressionante, tornou-se plenamente convencido de que Isabel estava para tornar-se a mãe de um filho do destino, aquele que iria preparar o caminho para a vinda do
Messias.
Gabriel apareceu para Maria por volta de meados do décimo primeiro mês, do ano
8 a.C., no momento em que ela estava trabalhando na sua casa em
Nazaré. Mais tarde, após Maria ter sabido que era certo que estava para ser mãe, ela persuadiu José a deixá-la viajar à cidade de
Judá, a sete quilómetros a oeste de
Jerusalém, nas montanhas, para visitar Isabel.
Gabriel tinha informado a cada uma dessas duas futuras mães sobre a sua aparição à outra. Naturalmente elas estavam ansiosas para encontrar-se, para compartilhar as suas experiências, e para falar sobre os prováveis futuros dos seus filhos. Maria permaneceu com a sua prima distante por três semanas. Isabel fez muito para fortalecer a fé de Maria na visão de Gabriel, de modo que ela voltou para a sua casa mais plenamente dedicada ao chamado de ser mãe do menino predestinado, a quem ela, muito em breve, iria apresentar ao mundo como um bebé indefeso, uma criança comum e normal deste reino.
João nasceu na cidade de
Judá, perto dos 25 do terceiro mês, do ano 7 a.C. Zacarias e Isabel rejubilaram-se grandemente com o facto de que um filho tivesse vindo para eles como Gabriel tinha prometido.
Ao oitavo dia, quando apresentaram a criança para a circuncisão, eles o baptizaram formalmente como João, exactamente como se lhes tinha sido ordenado. E logo um sobrinho de Zacarias partiu para Nazaré, levando até Maria a mensagem de Isabel, proclamando o nascimento de um filho cujo nome seria João.
Desde a mais tenra infância os pais inculcaram em João a ideia de que ele cresceria e tornar-se-ia um líder espiritual e um mestre religioso. E o solo do coração de João sempre foi sensível a essas sementes sugestivas.
[
editar] O Nascimento
►Ver artigo principal:
Nascimento de Jesus.
Jesus nasceu durante a vida de
Herodes, o Grande, que os romanos haviam designado para governar a
Judéia. Os
calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas: Herodes morreu no ano
4 a.C., de modo que Jesus nasceu 3 anos antes, a quando dos censos do povo Judeu, que ocorreu, exactamente, 1 ano após os censos dos outros povos também subjugados ao poder Romano. Estes censos ocorreram para facilitar aos
Romanos a contagem do povo e a respectiva cobrança dos impostos. Os Judeus sempre se opuseram a qualquer tentativa de contagem, por essa razão, esta ocorreu um ano depois de ter ocorrido nos povos vizinhos. Desde o
séc. IV, os cristãos festejam o
Natal, ou nascimento de Cristo, no dia
25 de dezembro. Esta foi uma adaptação das festas ao deus Sol dos povos pagãos, adquirida pelos Romanos. A data real ainda é incerta, ver
mais adiante.
Maria foi a mãe de Jesus. Ela e o
carpinteiro José, seu marido, moravam em
Nazaré, uma cidade da província da
Galiléia, no norte da
Palestina. O Evangelho de Lucas conta que o
arcanjo Gabriel apareceu a Maria e anunciou que ela ia dar à luz o filho de Deus, o prometido
Messias. Algum tempo antes de Jesus nascer, Maria e José foram a
Belém, a fim de terem seus nomes registrados em um recenseamento. Belém era uma pequena cidade do sul da Judéia. Maria e José encontraram abrigo num estábulo, e foi aí que Jesus nasceu. Maria fez de uma manjedoura o berço para ele.
Os Evangelhos falam de pastores que, perto de Belém, viram anjos no céu e os ouviram cantar: "Glória a Deus nas alturas e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens (Lucas 2:14). Algumas traduções da Bíblia dizem: paz na Terra aos homens de boa vontade. Outra história diz que vieram sábios do Oriente para ver o Messias recém-nascido. A princípio perguntaram por ele na corte de Herodes. Mais tarde puderam localizá-lo, seguindo até
Belém a luz de uma estrela. Trouxeram a Jesus oferendas de
ouro,
incenso e
mirra.
Herodes pedira-lhes que voltassem para informá-lo quando tivessem encontrado o menino, mas eles não fizeram isso. Herodes tomou-se de fúria e, com medo desse novo rei dos judeus, mandou que fossem mortos todos os meninos de Belém que tivessem dois anos de idade ou menos. Um anjo apareceu a José, em sonho, e o preveniu. José fugiu então para o
Egito, com Maria e o menino Jesus. Só retornaram a Nazaré depois da morte de Herodes.
[
editar] Infância
Pouco sabem os historiadores sobre a infância de Jesus. Lucas diz que, aos 12 anos, ele foi com os pais a
Jerusalém, para a festa de Pessach, a
Páscoa judaica, e lá surpreendeu os doutores do Templo com os seus conhecimentos religiosos. A única informação a mais deixada por Lucas sobre a infância de Jesus é a de que "crescia o Menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele (Lucas 2:40).
Jesus cresceu em Nazaré e provavelmente auxiliava José em seus trabalhos de
carpintaria, até este falecer. Jesus, tendo plena e sã consciência de sua missão, preparava-se mental e espiritualmente em profundas orações e no contato íntimo com o Pai, mas ao mesmo tempo vivia uma vida normal junto de sua família, tal qual um morador de Nazaré.
[
editar] Vida Pública
[
editar] Ministério
Jesus começou a revelar a missão especial de sua vida por volta dos 30 anos de idade.
João Batista, seu parente, preparava o caminho para ele, pregando o arrependimento e batizando os que aceitavam sua mensagem. Jesus foi ter com João, a fim de ser batizado.
Após a sua estada de "40 dias e 40 noites no deserto", exemplo típico do isolamento que antecede o cumprimento da missão dos profetas e iluminados, voltou para a
Galiléia. Escolheu
Cafarnaum, perto do mar da Galiléia, para centro de Suas atividades. Logo vieram juntar-se a ele os primeiros apóstolos: Simão
Pedro, André, Tiago e João. Depois, Jesus escolheu para ajudá-lo Bartolomeu (às vezes confundido com Natanael), Tiago Menor,
Judas Iscariotes, Tadeu (também chamado de Judas Tadeu), Mateus, Filipe, Simão e Tomé.
Jesus desenvolveu na Galiléia a maior parte do seu ministério. Mas esteve também na Samaria, em Jerusalém e em outros pontos do norte da Galiléia. Anunciava o Reino de Deus e afirmava ter o poder de perdoar pecados. Tratava os não-judeus com a mesma benevolência que dedicava aos judeus. Muitos dos seus ensinamentos encontram-se no
Sermão da Montanha, transcritos por Mateus (5,6,7). Os mestres da Galiléia não confiavam em Jesus, porque ele não evitava os pecadores. Também O temiam porque parecia modificar certas práticas estabelecidas, como a de não pregar aos sábados. Mas seus discípulos acreditavam nele. Quando Jesus Ihes perguntou quem pensavam que ele era, Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16:16). Pouco depois, Pedro, Tiago e João tiveram uma visão de Jesus conversando com
Elias e
Moisés, tidos como seus precursores.
[
editar] Ensinamentos
Com freqüência, Jesus explicava sua doutrina através de parábolas, histórias breves que encerravam ensinamentos. O Filho Pródigo(Lucas 15:11-32), por exemplo, fala da grande alegria de um pai quando vê retornar à casa um filho que saíra a correr mundo. Jesus usou esta parábola para mostrar o amor e o perdão de Deus aos pecadores que se arrependem. Os Evangelhos mencionam cerca de 70 parábolas.
Muito do que Jesus ensinou já fazia parte da
Bíblia judaica ou da tradição dos hebreus, mas Jesus deu maior ênfase a certas idéias e acrescentou ensinamentos novos. Ele acreditava que Deus estava preparando a Terra para um novo estado de coisas, em que todos os seres humanos haveriam de viver como filhos de Deus. Jesus falava dessa nova era como o Reino de Deus, e dizia ser ele o enviado do Pai para anunciar e fazer presente esse Reino.
Combatia o pecado, especialmente a hipocrisia e a crueldade para com os fracos, mas não desprezava os pecadores: estava sempre disposto a curar e a perdoar, mesmo antes que as pessoas se mostrassem arrependidas. Para Jesus, o poder de Deus era maior que o pecado, e ele ensinava que o arrependimento e a fé podiam salvar os homens.
Aos seus seguidores, Jesus oferecia normas de vida. Ele ensinava as pessoas a amarem a Deus e aos seus semelhantes com toda a força de seus corações e de suas mentes. Frisava que cada pessoa deveria tratar as outras como gostaria de ser tratada por elas. Ensinava os que O ouviam a não reagirem quando atacados: "A quem te esbofetear a face direita, oferece também a esquerda (Mateus 5:39).
[
editar] Milagres
Os Evangelhos falam de 36 milagres de Jesus. Ele nunca os fez em seu próprio benefício. Os supostos milagres suscitavam a admiração de seus discípulos e geravam muitas conversões. O primeiro teria sido em
Caná, durante uma festa de casamento. Quando o dono da casa viu que o vinho tinha acabado, Jesus transformou água em vinho. Pouco depois, no lago de
Genesaré, teria feito com que Simão Pedro pescasse em sua rede tantos peixes que o barco ameaçou afundar.
Noutra ocasião, conta-se que Jesus abençoou cinco pães e dois peixes, que puderam ser repartidos entre mais de cinco mil homens, mulheres e crianças, recebendo cada qual o suficiente para comer. E, em outra ocasião, Jesus teria deixado perplexos os discípulos, ao caminhar sobre as águas do mar durante uma tempestade.
Muitas histórias dos Evangelhos falam de Jesus curando cegos e doentes. João conta como Jesus trouxe de volta à vida o seu amigo
Lázaro, que estava morto e sepultado havia quatro dias. Acreditavam que Jesus usava os seus dons especiais para demonstrar o amor e a misericórdia de Deus.
[
editar] A Paixão
Os últimos meses da vida de Jesus representam o que os cristãos chamam de Paixão, ou Seu sofrimento por toda a humanidade. Jesus fizera muitos inimigos em
Jerusalém e sabia que corria perigo se fosse àquela cidade. Entretanto, acreditava ter o dever de ir. Estava decidido a pregar a boa nova do Reino de Deus e do perdão. Sentia que viera ao mundo para salvar os outros, com o sacrifício de Sua própria vida.
[
editar] A Última Ceia
Jesus chegou a
Jerusalém para a semana da
Páscoa judaica. No domingo, fez uma entrada triunfal na cidade. O povo estava agradecido pelas suas curas e pelos Seus ensinamentos, e muitos acreditavam que ele traria à nação judaica uma vida melhor. Por isso, enquanto ele passava, o povo o aplaudia e cobria Seu caminho com panos e ramos de palmeira.
[
editar] Os distúrbios que Jesus provocou no
Templo de JerusalémNo templo de Jerusalém em tempo de
Pessach, os Judeus traziam oferendas para a casa de Deus. As oferendas, (
Korban) eram feitas em espécie, sobretudo na forma de animais, ou em dinheiro. Os sacerdotes do templo recebiam as ofertas, que eram em parte queimadas (para Deus), a parte restante sendo redistribuida entre a classe dos sacerdotes e entre os pobres. Alguns Judeus traziam animais, outros compravam-nos à entrada do templo, onde vendedores os serviam. Juntamente com estes vendedores à entrada do templo havia cambistas, pessoas que trocavam moedas gregas e romanas em moedas judaicas, as únicas que eram aceites pelos sacerdotes do templo, aparentemente porque no templo, um lugar simbólico do Judaísmo, não deveriam circular moedas onde figurassem Deuses e imperadores estrangeiros (romanos ou gregos). O templo de Jerusalém era na altura um lugar sagrado do Judaísmo, como hoje Meca e Medina são lugares sagrados do Islão.
A troca de dinheiro dos conquistadores estrangeiros, a moeda forte, como hoje em muitos países o dólar, pelo dinheiro local judeu para possibilitar a realização de uma tradição judaica devia tornar evidente aos olhos dos judeus compatriotas de Jesus, o quanto o sistema político e económico imposto pelos romanos "corrompia" a religião judaica. Era evidente que o sistema religioso, as famílias judaicas (a casta dos
saduceus que se tinham "arranjado" com a nação ocupante), viviam à custa de dinheiro "sujo", branqueado por estes cambistas.
Ao protestar contra os cambistas do templo, Jesus estaria a mostrar aos seus contemporâneos em que medida o sistema político e económico imposto pela nação invasora corrompia a verdadeira religião judaica. Este tipo de protestos não era novo. Sabemos pelo relato de
Flávio Josefo que poucos anos antes,
Pôncio Pilatos se apropriou dos fundos do templo para a construção de um aqueduto, causando a ira e o protesto de muitos Judeus, protestos que foram abafados violentamente pela acção de um grupo para-militar às ordens de Pilatos.
Os evangelhos relatam como Jesus provocou desacatos à ordem pública, voltando as mesas dos comerciantes de moedas, protestando vivamente. Foi um acto de violência física único na vida de Jesus e que por isso tem causado muitas dificuldades à interpretação oficial das Igrejas Cristãs, que preferem não dar muita importância ao evento. Todavia há que salientar que foi este evento, observado de perto pelas autoridades romanas e pelos sacerdotes do templo, que iria desencadear a perseguição, o julgamento e finalmente a sua condenação à morte.
A Igreja católica tentou por muito tempo interpretar este acto violento de Jesus como justificado com base numa crítica à actividade comercial em geral. Esta a visão anti-comercial e anti-capitalista que prevaleceu na
Idade Média (Ver
Sociologia da religião#Do Judaísmo para o Cristianismo). "Jesus disse que a casa de Deus era lugar de oração e não de comércio".
Outra interpretação possível e conveniente à Igreja Católica é a possibilidade de Jesus ter protestado contra este comércio porque ele teria supostamente querido uma abertura do Templo aos não Judeus.
Durante os dias seguintes, Jesus passou boa parte do tempo pregando em Jerusalém. No tempo restante, Ele meditava e orava em
Betânia, a leste da cidade. Na quinta-feira à noite, participou da
Última Ceia, com os doze apóstolos, em Jerusalém. Três dos Evangelhos afirmam ser aquela a ceia da Páscoa. Nessa ocasião, Jesus disse aos apóstolos que um deles haveria de trai-lO, e prometeu que os encontraria de novo no Reino de Deus. Ao servir o pão e o vinho, disse: "Este é o meu corpo" e Este é o meu sangue". Essa ceia deu origem à comunhão cristã.
[
editar] O Julgamento
Mais tarde, na mesma noite, Jesus foi para o jardim de
Getsêmani, na encosta do monte das
Oliveiras, em frente ao Templo. Três discípulos - Pedro, Tiago e João - faziam-lhe companhia, mas logo adormeceram. Jesus orou em agonia espiritual, mas submeteu-se à vontade de Deus. Um pelotão de homens armados chegou ao jardim para prender Jesus enquanto ele orava. Judas Iscariotes, um dos apóstolos, indicou quem ele era com um beijo. Judas havia traído o Mestre por 30 moedas de prata. Mateus conta que, depois disso, Judas enforcou-se.
Os soldados levaram Jesus para a casa do supremo sacerdote. A lei judaica não permitia que o
Sinédrio, a suprema corte judaica, se reunisse durante o Pessachou condenasse um homem à morte durante a noite. Mas alguns membros do Sinédrio resolveram interrogar Jesus de qualquer modo. Primeiro o acusaram de ameaçar destruir o Templo, mas as testemunhas entraram em desacordo. Por fim, perguntaram a Jesus se ele era o Messias, o Filho de Deus e rei dos judeus. Jesus respondeu que era, e foi então acusado de blasfemar ao dizer-se Deus.
Na manhã de sexta-feira, os líderes judeus levaram Jesus à presença de
Pôncio Pilatos, que então governava a província romana da Judéia. Acusavam-no de estar traindo Roma ao dizer-se rei dos judeus. Como Jesus era galileu, Pilatos enviou-o a
Herodes Antipas - filho de
Herodes, o Grande - que governava a Galiléia. Lucas conta que Herodes zombou de Jesus, vestindo-o com um manto real, e devolveu-o a Pilatos.
Era de praxe os governantes romanos libertarem um prisioneiro judeu por ocasião do Pessach. Pilatos expôs Jesus e um assassino condenado, de nome
Barrabás, na escadaria do palácio, e pediu à multidão que escolhesse qual dos dois deveria ser posto em liberdade. A multidão voltou-se contra Jesus e escolheu Barrabás. Pilatos condenou então Jesus a morrer na cruz. A crucificação era uma forma comum de execução romana, aplicada, em geral, aos criminosos de classes inferiores.
[
editar] A Crucificação
O flagelo de Cristo (do ponto-de-vista católico); pintura de
William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
Os soldados romanos zombaram de Jesus por considerar-se rei dos Judeus. Vestiram-no com um manto vermelho, puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos e, na mão, uma vara de bambu. A seguir, espancaram-no e cuspiram nele. Forçaram-no a carregar a própria cruz, como um criminoso. Ao vê-lo perder as forças, ordenaram a um homem, de nome
Simão Cireneu, que tomasse da cruz e a carregasse durante parte do caminho.
Os romanos pregaram Jesus na cruz fora da cidade, num monte chamado Gólgota ou Calvário. João conta que escreveram, no alto da cruz, a frase latina Iesus Nazarenus Rex Iudeorum, que significa Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. Essa inscrição foi também feita em grego e em hebraico. Puseram a cruz de Jesus entre as de dois ladrões. Antes de morrer, Jesus disse: "Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem" (Lucas 23:24). Durante sua agonia, ele se lamentou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mateus 27:46). Depois de três horas, Jesus morreu.
José de Arimatéia e
Nicodemos depuseram o seu corpo num túmulo recém-aberto, e o fecharam com uma pedra.
[
editar] A Ressurreição
Os Evangelhos contam que, no domingo de manhã,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus. Encontrou a pedra fora do lugar e o túmulo vazio. Depois disso, Jesus apareceu a ela e a Simão Pedro. Dois discípulos viram-no na estrada de
Emaús. Os Evangelhos dizem que os onze apóstolos fiéis encontraram-se com ele, primeiro em Jerusalém e depois na Galiléia. Ele ainda os ensinou durante 40 dias e então subiu ao Céu.
[
editar] O apóstolo Paulo
Segundo os textos bíblicos, Jesus teria revelado-se - ou ressucitado para os católicos, ou materializado para os espiritualistas - a Saulo de Tarso quando este estava a caminho de
Damasco. Saulo era Judeu e perseguidor dos primeiros cristãos, até que teve um encontro com Jesus no meio de uma
tempestade de areia. Após três dias cego, possivelmente como consequência da tempestade, converteu-se ao cristianismo. Com a visão restaurada, passa a pregar o evangelho de Jesus aos gentios (não-judeus). Saulo teve seu nome mudado para Paulo e escreveu 14
Epístolas (cartas) contidas no
novo testamento (Romanos; 1 e 2 Coríntios; Gálatas; Efésios; Filipenses; Colossenses; 1 e 2 Tessalonissenses; 1 e 2 Timóteo; Tito; Filemom; e Hebreus).
[
editar] Relíquias de Jesus
Ver
Prepúcio Sagrado,
Santo Sudário[
editar] Nomes títulos de Jesus
Yeshua, nome original, é diminutivo de Yehoshua, "Josué".
Raiz de David
Leão da Tribo de Judá (Yehudah)
Príncipe da Paz
Pedra Angular
Cordeiro de Deus
Pão da Vida
Fiel e Verdadeiro
Filho do Homem
Estrela da Manhã
Rosa de
SaromAlfa e o Ômega (
Aleph e o Tav / no original), "Princípio e Fim" (considera-se que se aplica ao Messias, embora possa ser aplicado a Deus)
Rei dos Reis
Senhor dos Senhores
O Messias (Ha-Mashiach)
O Filho de Deus (diversas interpretações)
O amado de todas as nações
A segunda pessoa da
Santíssima Trindade (segundo a Igreja Católica e na grande maioria das religiões cristãs)
Emanuel (Deus connosco)
Luz do Mundo
[
editar] Data de nascimento
A data de nascimento de Jesus é muito discutida. Devido a falhas do calendário há quem diga que Jesus teria nascido por volta do ano
6 d.C. . Porém, considerando que Jesus nasceu pouco tempo antes da morte de
Herodes isto coloca-nos numa data anterior a
4 a.C..
Outra ajuda que temos para facilitar a localização da data do nascimento de Jesus foi que este ocorreu a quando José foi a
Belém com sua família para participar do
recenseamento.
Os
romanos obrigaram o recenseamento de todos os povos que lhes eram sujeitos a fim de facilitar a cobrança de
impostos, o que se tornou numa valiosa ajuda na localização temporal dos factos, uma vez que ocorreu exactamente 4 anos antes da morte de
Herodes, no ano
8 a.C..
Entretanto, os
Judeus tomaram providência no sentido de dificultar qualquer tentativa por parte dos ocupantes em contar o seu povo, pelo que, segundo a história, nas terras judaicas este recenseamento ocorrera um ano depois do restante império romano, ou seja no ano
7 a.C.. Em Belém, o recenseamento ocorrera no oitavo mês, pelo que se concluiu que, Jesus nascera provavelmente no mês de
Agosto do ano
7 a.C..
Outros factos também ajudam a estimar a data exata. Conforme é relatado pelos
textos bíblicos, no dia seguinte ao nascimento de Jesus,
José fez o recenseamento da sua família, e um dia depois,
Maria enviou uma mensagem a
Isabel relatando o acontecimento.
A apresentação dos bebês no templo, bem como a purificação das mulheres teria de ocorrer até aos vinte e um dias após o
parto. Jesus foi apresentado no templo de
Zacarias, segundo os registos locais, no mês de
Setembro num
sábado. Sabe-se que Setembro do ano
7 a.C. teve quatro sábados:
4,
11,
18 e
25. Como os censos em
Belém ocorreram entre
10 e
24 de Agosto, o sábado de apresentação seria o de
11. Logo Jesus teria nascido algures depois de
21 de Agosto do ano
7 a.C..
[
editar] Ascendência de Jesus
Marcos e
Mateus apresentam diferentes ascendências para Jesus. Cada evangelista expõe a genealogia de uma forma diferente, Lucas por exemplo nos mostra a genealogia partindo de maria, representada por José até Adão. Na tradição judaica quando um homem se casava com uma mulher, era considerado filho dos sogros.
[
editar] Segundo Marcos
Jesus era filho de
José, que era filho de
Jacob, que era filho de
Matan, que era filho de
Eleazar, que era filho de
Eliud, que era filho de
Aquim, que era filho de
Sadoc, que era filho de
Azor, que era filho de
Eliaquim, que era filho de
Abiud, que era filho de
Zorobabel, que era filho de
Salatiel, que era filho de
Jeconias, que era filho de de
Josias, que era filho de
Amon, que era filho de
Manasses, que era filho de
Ezequias, que era filho de
Acaz, que era filho de
Joatão, que era filho de
Ozias, que era filho de
Joroão, que era filho de
Josafat, que era filho de
Asa, que era filho de
Abia, que era filho de
Roboão, que era filho de
Salomão, que era filho de
David.
[
editar] Segundo Mateus e Lucas
Jesus era filho de
José, que era filho de
Eli, que era filho de
Matat, que era filho de
Levi, que era filho de
Melqui, que era filho de
Joana, que era filho de
José, que era filho de
Matatias, que era filho de
Amós, que era filho de
Naúm, que era filho de
Essi, que era filho de
Nagai, que era filho de
Maath, que era filho de
Matatias, que era filho de
Semei, que era filho de
José, que era filho de
Judá, que era filho de
Joana, que era filho de
Resa, que era filho de
Zorobabel, que era filho de
Salatiel, que era filho de
Neri, que era filho de
Melqui, que era filho de
Adi, que era filho de
Cuzan, que era filho de
Elmudan, que era filho de
Er, que era filho de
José, que era filho de
Eliezer, que era filho de
Jurim, que era filho de
Matat, que era filho de
Levi, que era filho de
Simeon, que era filho de
Judá, que era filho de
José, que era filho de
Jonan, que era filho de
Eliaquim, que era filho de
Melea, que era filho de
Mainan, que era filho de
Matata, que era filho de
Natan, que era filho de
David. No evangelho de Lucas a genealogia segue-se até Adão.
[
editar] Ver também
Jesus CristoCristianismoJudaísmo MessiânicoSinagoga de Cafarnaum - sinagoga construída no mesmo local onde Jesus ensinou, ainda existente.
Códice SinaiticusMilagres de JesusTestimonium Flavianum - A passagem em que o historiador judeu Flávio Josefo escreve sobre Jesus no ano 93.
Maria MadalenaIsa - perspectiva muçulmana da figura de Jesus, considerado um profeta no
islão.
Lista de pessoas proclamadas Messias-uma lista de pessoas através da história que foram consideradas
Messias .
BíbliaEvangelhoFonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus